28 de julho de 2014

Morte e horror nas trincheiras

Morte e horror nas trincheiras
"Dragão do exército francês é baleado durante a campanha de 1914" - acevo Estadão

A segunda ofensiva de Champagne programada pelo general francês Joseph Joffre para obrigar o exército alemão a recuar na região de Marne estava em seus últimos preparativos quando o subtenente Arthur Charles Leguay, de 37 anos, recrutado em Le Mans e matriculado sob o número 1.657 no 2.º Batalhão de Caçadores a Pé, desembarcou na estação de trem de Vitry-le-François, em 15 de setembro de 1915. Onze dias depois, de sua trincheira, sob a luz de velas, ele escreveu à sua mulher, Madeleine: “Parece que seremos encarregados de perseguir o exército alemão e que receberemos ordem de não parar até a margem do Reno. Quer dizer que queremos o sucesso completo”, disse o poilu (soldado de infantaria francês), completando em tom otimista: “No momento em que escrevo, as baterias de artilharia pesada bombardeiam o terreno para deslocar as tropas inimigas. Todos estão sorridentes”.
O ataque ao qual Leguay se referia teve início às 4h45 de 30 de setembro de 1915. Seu objetivo era tomar o vilarejo de Ripont e posições alemãs próximas das colinas de Main de Massiges, em Champagne. O balanço da operação do lado francês indicava 797 baixas, incluindo 159 mortos – entre eles, 17 oficiais. Além deles, havia 182 desaparecidos, entre os quais o subtenente. A Madeleine, um de seus colegas de tropa escreveu: “Não posso dizer que ele esteja morto, mas o viram cair ferido”.
Como cerca de 700 mil combatentes jamais foram encontrados na 1.ª Guerra Mundial, Leguay poderia ter sido condenado a jamais ser localizado. Em meio ao conflito, corpos desapareciam por completo, desintegrados por granadas de obus ou soterrados por explosões nos arredores. Mas a sina foi diferente. Sua ossada acabaria encontrada por acidente, em 16 de maio de 2012, 97 anos mais tarde, em sua trincheira, onde também estavam sua placa de identificação, os estilhaços de obuses que o mataram e seu capacete, perfurado.
Seus restos mortais e pertences testemunham o horror da guerra nas trincheiras, onde 56% dos soldados acabavam mortos ou feridos, além de tantos outros doentes físicos ou mentais em razão das condições do conflito. Sepultados em fossas coletivas ou em túmulos isolados, grande parte dos soldados, como Leguay, jamais foi identificada. Antes abandonada, a área da colina foi adquirida por cinco moradores do vilarejo, que reconstituíram as galerias de Massiges, transformando-as em um dos mais bem conservados sítios da guerra do país. O resultado do trabalho é que dezenas de soldados desconhecidos vêm sendo encontrados. Entre eles está o poilu Albert Dadure, morto em 7 de fevereiro de 1915, aos 21 anos, e localizado 97 anos depois.
Enterrar corpos na 1.ª Guerra Mundial não raro era impossível em um conflito marcado por trincheiras inimigas separadas em geral por 100 ou 200 metros. “Às vezes, entre uma trincheira alemã e uma francesa, era possível ouvir as vozes, ouvir o ruído dos talheres durante as refeições, ouvir o soldado inimigo limpar sua arma. Havia toda uma vida que acontecia nas trincheiras”, conta Alexis Guilbert, militar de elite francês e estudioso da 1.ª Guerra Mundial. Essa vida, que também podia se passar nas galerias subterrâneas da região de Aisnes usadas pelos soldados, se resumia a esperar o momento do ataque. “Os assaltos eram extremamente letais. Quando uma seção completa saía da trincheira, alemães e franceses alinhavam suas metralhadoras e logo não havia mais nada. Regimentos inteiros desapareciam por nada.”

Degradante
Dessa forma, um em cada 10 combatentes morreu na 1.ª Guerra Mundial, grande parte das vezes abandonados em condições degradantes. No campo de batalha, não raro a única opção era cavar covas rasas e provisórias ou abandonar os cadáveres, à espera de um bombardeio que também desse um fim aos agonizantes, com frequência deixados à própria sorte entre as trincheiras inimigas.
Não bastasse a expectativa sombria de cada soldado, excrementos, ratos, infestações de insetos, barro, umidade, chuva e frio glacial se uniam ao pesadelo, provocando epidemias como disenteria, cólera ou tifo, doenças de pele, gangrenas nos pés e infecções as mais variadas, em uma época em que a medicina ainda não contava com antibióticos. Ao martírio físico, somava-se uma tortura psicológica: o risco que cada militar corria de se tornar um “gueule cassé”, ou “cara quebrada” – o deformado. Assim era a vida e a morte em campos de batalha em regiões como a belga Ypres ou as francesas Somme e Verdun, segundo os testemunhos dos soldados, legados em milhões de cartas trocadas com suas famílias.
MSN/montedo.com

Quarenta e um militares ucranianos abandonam unidades e entram na Rússia

Ucrânia, crise, confrontos, exército, Rússia, fronteira
Foto: REUTERS/Gleb Garanich

Mais de 40 militares ucranianos abandonaram suas unidades e pediram aos milicianos autorização para se deslocarem para a Rússia para não combaterem contra seu próprio povo, informou no sábado o porta-voz da direção de fronteiras do FSB da Rússia no distrito de Rostov, Vassili Malaev.
“Por volta das 20h30, horário de Moscou, 41 militares ucranianos abandonaram suas unidades se apresentando no posto de controle ucraniano Izvarino. Eles dirigiram aos milicianos um pedido de ajuda para transitarem para o território da Rússia por não desejarem combater contra seu próprio povo”, disse Malaev.
O porta-voz acrescentou que todos os militares ucranianos já atravessaram a fronteira da Rússia através do posto de controle russo Donetsk.
rádio VOZ DA RÚSSIA/montedo.com

27 de julho de 2014

Sargento do Exército que contraiu HIV no Hospital Militar será reformada com vencimentos de Tenente

UNIÃO CONDENADA A PAGAR INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL POR PERMITIR QUE EXAME DE HIV DE SARGENTO SE TORNASSE CONHECIDO NO ÂMBITO DO HOSPITAL MILITAR DE PORTO ALEGRE.

Após vários anos de trâmite processual, a demanda ajuizada por Sargento Técnico Temporário contra a União, requerendo reintegração, reforma e indenização por dano moral, chegou ao seu final na 1ª Vara Federal de Porto Alegre.
A militar do Exército, que trabalhava no Hospital Militar de Área de Porto Alegre como Técnico em Enfermagem, realizando exames de rotina, descobriu que havia sido contaminada pelo vírus HIV no exercício de sua profissão.
Os exames da militar foram realizados por intermédio do laboratório do Hospital Militar, mas acabaram sendo violados e as informações da contaminação divulgadas ilicitamente no âmbito do nosocômio.
Foi aberta sindicância pela autoridade militar, que apurou o 'vazamento' das informações sigilosas.
Nas conclusões da Sindicância mencionada foi reconhecida a divulgação não autorizada do quadro de saúde da autora e listadas suas possíveis causas: 'Quanto ao vazamento inicial das informações não se pode comprovar realmente por onde possa ter ocorrido, pois nos autos deste processo, se verifica uma certa quantidade de fatores que podem ter contribuído para a divulgação não autorizada das informações, entre elas: Falta de segurança na emissão dos laudos dos exames pela Santa Casa (resultados não lacrados e entregues a pessoas sem qualquer preparo), falta de NGA [norma geral de ação] e POP [procedimento operacional padrão] por parte do LAC do HMAPA, que facilita o descontrole e sigilos dos exames, deixando que todos, do mais antigo ao mais moderno, do mais técnico ao mais leigo, ficassem em contato com fases do processo que não deveria ser do conhecimento peculiar da maioria dos que lá trabalham, e a própria falta de ética de alguns profissionais que poderiam externar os resultados (...).'
Todavia, a militar, mesmo tendo requerido sua cabível reforma, por ter sido contaminada por vírus incurável e letal, acabou sendo licenciada.
Proposta a demanda judicial, após vários anos de trâmite, e restando provadas todas a alegações, foi proferida sentença de procedência, condenando a UNIÃO a reformar a sargento com vencimentos em grau hierárquico superior, retroativo desde o licenciamento, e também a reparar a autora em danos morais, no valor de R$ 35.000,00, corrigidos desde o fato.
Para a reforma, a Juíza Federal, em sua fundamentação, adotou "o entendimento do STJ e TRF da 4ª Região a respeito da matéria, no sentido de que, por se tratar a infecção pelo HIV de doença grave e incurável, cujo tratamento é permanente e gera efeitos colaterais importantes, a incapacidade resta presumida, sendo irrelevante o fato de a militar portadora do vírus estar momentaneamente assintomática."
O pedido de indenização por dano moral foi também julgado procedente, porque "restou demonstrada a exposição não autorizada do quadro de saúde da autora num momento em que ela já estava desestabilizada e fragilizada pela descoberta da infecção pelo HIV, o que implica inequívoca violação de sua intimidade e ocasiona, principalmente tendo em conta o notório preconceito e estigma vinculados à doença diagnosticada, angústia, aflição, abalo emocional, perturbação do bem estar, constrangimento e degradação de sua imagem não só no ambiente de trabalho, mas no meio social (considerando a ausência de controle da propagação da informação após sua divulgação), afetando inegavelmente sua dignidade. Dessa forma, resta configurado o dano moral alegado, cabendo à ré a obrigação de repará-lo."
O Advogado MAURÍCIO MICHAELSEN defendeu os interesses da militar.
Informações (contato@michaelsen.adv.br)
O DIREITO DO MILITAR/montedo.com

Arquivo do blog